quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Serpente, vulgo deus (Encruzilhada 23-11)

logos só e demasiado e a lira
tocava pianinho seduzida a convencer o
homem de que não é
só sozinho

longinquamente a serpente rastejava
- diz-nos a passagem
que abdicou de seus
membros para facilitar o caminho

apenas um sacrifício poderia carregar este romantismo
tendo por garantido que o sangue é um símbolo
de tragédia só
quando é visto

então a serpente anunciou-se
por fim ali onde se cruzou a morte
e a vida e ninguém
se perdeu
de um olho entreaberto vi-a
aproximar-se cobiçando a mão
que agarraria
a vida a oferta
havia sido realizada

apenas um sacrifico poderia lembrar este romantismo
tendo por garantido que a piedade não existe
quando se ouve tenho estado
à tua espera como é ver viver
homens
deuses
ou ambos

então a serpente afastou-se
por fim ali onde se cruzou a morte
e a vida e ninguém
se perdeu
deixando-me só
a solidão
e o veneno

meu deus