quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Serpente, vulgo deus (Encruzilhada 21-11)

logos só e demasiado, e a lira
tocava pianinho, seduzida a convencer o
homem de que não é
só sozinho.

longinquamente a serpente rastejava
- diz-nos a passagem
que abdicou de seus
membros para facilitar o caminho.

apenas um sacrifício poderia carregar este romantismo,
tendo por garantido que o sangue é um símbolo
de tragédia só
quando é visto.

então, a serpente anunciou-se
por fim, ali, onde se cruzou a morte
e a vida, e ninguém
se perdeu.
de um olho entreaberto vi-a
aproximar-se, cobiçando a mão
que agarraria
a vida. a oferta
havia sido realizada.

apenas um sacrifico poderia lembrar este romantismo,
tendo por garantido que a piedade não existe
quando se ouve, tenho estado
à tua espera, como é ver viver
homens,
deuses
ou ambos.

então, a serpente afastou-se
por fim, ali, onde se cruzou a morte
e a vida, e ninguém
se perdeu,
deixando-me só
a solidão
e o veneno.

meu deus.