quarta-feira, 20 de abril de 2016

Astromancia

o nada que se vê
deste lugar tão
distante dos olhos e
tão perto das mãos
contor-
ce-me o cérebro e
contor-
na-te o corpo.

ambos estivemos em ambas
as posições simultanea-
mente, e sempre
soubeste que
os fantasmas
existiam quando
diziam (não olhes

para trás. amor
nunca, é só amor.)
e amor nunca
era só amor.

minha querida,
despisses-me tu
sem certeza
ao encontrar
a supremacia
oci-
dental
vulgar no meu corpo,
serias vista
como a nova anti-
-cristo e mais
um pouco.

dirias (a humanidade
pode esperar
para comer. as tuas lágrimas
só me engordam
a mim. agora
prova-me como
sou bonita)

com o mesmo femi-
nismo que se meta-
morfoseou neste faz de
conta de liberalismo sexu-
al, para te continuar
a digerir nas tardes
de domingo. no na-
tal, presta uma vassalagem
de sorrisos à família
e talvez voltes
a existir sempre que
te apeteça voltar
a soprar as velas e
deixar as paredes
brancas escure-
cerem.

dirias (o mundo
pode esperar
para viver. agora
diz-me como
sou bonita).

o movimento
on-
dular
da
tua língua
far-me-ia acreditar
que tens o verão
nos teus
dentes.

pedirias aos canalhas
do tempo para
afastarem as
nu-
vens e
te deixarem ver
o céu porque

para ti sou só
astromancia; irás
ver-me?,
balançar entre
o tremor
e o símbolo,
o amor
e o símbolo

ou o rumor
dele murmurando:

- já de
seguida, de
volta ao início:

o nada.